Tem uma frase que eu gosto muito, "polícia e táxi quando mais se precisa, não se encontra" é praticamente um dito popular. Quantas vezes precisamos da polícia e ela não aparece?
A bandidagem tá solta pelo mundo, a coisa ficou mais séria com a invenção da publicidade e da novela das oito, junta isso com a dependê...ncia da droga e temos uma sociedade alienada e doente.
Muitos podem até dizer: "a droga eu entendo, mas a novela e a publicidade?", pois parem pra pensar um segundo e imaginem uma pessoa de origem humilde que não tem pai nem mãe, sem educação ela não consegue enxergar um futuro, mas tem uma televisão dentro do seu quarto e pela televisão ela fica sabendo que existe um milhão de coisas para se consumir, vê a menina da novela gastando por conta. Imagina essa mesma pessoa indo ao shopping, vendo todos aqueles carrões e todas aquelas mulheres lindas e bem vestidas. Imagine se essa pessoa muitas vezes humilhada pela sua origem, imaginou? Pois bem, muitas dessas pessoas vão se tornar marginais, não todas, mas a maioria vai e não me venham com senso disso ou daquilo, estou falando de coisas que vivo na pele, vejo diariamente isso acontecer no lugar onde fui criado, não sou um demagogo querendo me aparecer dizendo que tive uma vida difícil e venci, estou dizendo que apesar de não ter uma explicação lógica é possível entender essas pessoas, uma vez no crime nunca mais será vista com bons olhos pela sociedade, até mesmo eu já fui vítima desse tipo de pensamento.
Mas ainda bem que existe a polícia civil e militar para nos proteger, afinal quem não precisa de segurança!! Vou relatar agora casos que acontecem aqui em Porto Alegre e pelo Brasil a fora.
Preso policial militar suspeito de sequestrar garota de programa em Porto Alegre; Mais dois policiais, que estão na lista de procurados da Operação Guilhotina; Notícias de policiais gaúchos envolvidos em crimes, como assalto a banco e sequestro; Policial militar suspeito de ter assassinado a tiros o boxeador Tairone Silva, de 17 anos; Um soldado da Polícia Militar foi preso por contrabando de agrotóxico; Um policial militar foi preso por assaltar pedestres e quase atropelar um outro policial com uma moto; A corregedoria da Polícia Militar apura o envolvimento de um membro da corporação em um suposto caso de abuso sexual contra adolescentes; Um policial militar foi preso em flagrante após roubar um carro e assaltar pedestres em bairros da Zona Norte do Rio; Foi preso o último dos sete soldados da Polícia Militar de Manaus envolvidos na tentativa de assassinato de um adolescente de 14 anos.
Alguém lembra do homem que foi morto pela brigada há alguns anos, por engano, no bairro Partenon? Ou do menino que foi morto por um PM em São Leopoldo com um tiro de escopeta na cara?
O que estamos vivendo é uma crise, que afeta nossas vidas. Não vejo a população saindo as ruas para aumentar o salário dos professores, não vejo a população exigindo melhorias na segurança pública, a não ser que um parente morra, não vejo a população saindo as ruas para que o Guaíba seja despoluído, não vejo manifesto em prol a nada que seja de utilidade à população de um modo geral. Vejo algumas pessoas usando passeata como meio de diversão, sim, foi isso que eu vi nas redes, vamos lá fazer a passeata depois vamos tomar uma cerveja!!! Virou uma festa!!!
Os professores são a base desse processo de formação, vivemos um dilema de várias gerações sem educação, o resultado está aí estampado nas nossas caras e nas manchetes. Sensacionalismo que consumimos diariamente na empresa televisiva e escrita.
Nosso problema é maior do que parece, estamos numa bola de neve, perdidos e sem direção, mas a solução, ah, essa é simples, EDUCAÇÃO, mas para isso precisamos qualificar professores com melhores salários e depois qualificar policiais e só assim teremos uma sociedade que valoriza as pessoas e não seu metro quadrado de terra.
Nunca escrevi tanto, nem espero que muitos leiam, mas está aqui em forma de palavras a realidade da nosso medíocre e pobre sociedade, nada vai mudar e vamos ver a civilização voltar a morar em cavernas? acham que estou brincando?
Quando a sociedade perde a segurança, vai junto a civilização e assim voltamos ao nada, nossa polícia é falha por falta de recursos, nosso ensino é falho por falta de recursos, mas se todos sabem disse em Brasília porque nada muda? Por que o salário de um deputado tem que ser maior do que o salário de quem vai ensinar o povo a votar?
Espero não precisar de polícia tão cedo, mas afinal a gente precisa de polícia ou de segurança?
terça-feira, 5 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
A NOVA FACE DO CAPETA
Tivemos vários descendentes diretos do capeta sobre a terra, talvez o mais famoso deles, até pela recente passagem por aqui, seja Hitler, mas como os espíritas dizem, existem as reencarnações e essa foto que ilustra minha crônica é de um verdadeiro cão chupando manga!! Um homem que se diz preocupado com a moral e... os bons costumes, mas isso é lobo em pele de cordeiro, isso é um tiririca sem graça, um homofóbico, racista, preconceituoso, machista e um falso moralista. Já vi "Jair Messias Bolsonaro" cometer crimes contra tudo e contra todos que se oponhem as idiotices que ele acredita, algumas platéias acham graça, muitos comentam nos blogs e sites de relacionamentos o quanto ele é idiota, mas não podemos esquecer que os grandes monstros sempre foram idiotas enquanto pequenos e sem força. O que nós temos aqui é um animal sem precedentes, um tirano que vem com ideias de ditadura, com rosto bonito tipo Fernando Collor de Mello, com olhar triste como o Ricardo José Neis, apaixonado como Antonio Pimenta Neves. Não podemos nos deixar enganar, desta vez o mau vem do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa revestida de glamour e sexo à flor da pele. Esse homem não é um coronel do interior da Bahia, o que temos aqui é um monstro que ocupa um lugar onde deveria estar um político sério, como ele foi eleito em um lugar onde todos são mestiços? Tenho certeza que seu discurso mudou depois que ele entrou no poder, mas ele não está só, tem filhos, sobrinhos e outros parentes em cargos públicos.
Meu medo não é dele, mas dos idiotas que nele acreditam, pois esses serão capazes de fazer merdas em nome de coisas que acreditam serem as certas, assim como os cavaleiros do Santo Inquérito, uma luta sem vencedores. Em um país que diariamente matam mulheres, crianças, negros, gays e velhos, um sujeito como esse deveria ser preso junto com o Francisco de Assis Pereira, "o Maníaco do Parque" e os Nardoni, pois esse era pra ser lugar de gente que não presta, mas infelizmente o Brasil é um país sem memória e os mesmos que acharam engraçados um idiota que usa a máquina pública para divulgar racismo e homofobia e todo o tipo de preconceito, serão os mesmo a elegerem um homem que pra mim é a reencarnação do capeta.
Quem realmente escolhe nossos políticos, nós ou eles mesmos, tu vai cair no velho conto do rosto bonito?
Meu medo não é dele, mas dos idiotas que nele acreditam, pois esses serão capazes de fazer merdas em nome de coisas que acreditam serem as certas, assim como os cavaleiros do Santo Inquérito, uma luta sem vencedores. Em um país que diariamente matam mulheres, crianças, negros, gays e velhos, um sujeito como esse deveria ser preso junto com o Francisco de Assis Pereira, "o Maníaco do Parque" e os Nardoni, pois esse era pra ser lugar de gente que não presta, mas infelizmente o Brasil é um país sem memória e os mesmos que acharam engraçados um idiota que usa a máquina pública para divulgar racismo e homofobia e todo o tipo de preconceito, serão os mesmo a elegerem um homem que pra mim é a reencarnação do capeta.
Quem realmente escolhe nossos políticos, nós ou eles mesmos, tu vai cair no velho conto do rosto bonito?
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Mc mal
Hoje no Correio do Povo está estampado uma foto do Mc Donalds da Andradas fechado por ter entre seus frequentadores, nada mais nada menos que baratas e ratos, sendo que esse são mais que clientes, são moradores, não só do prédio onde fica a lanchonete, mas de todo centro de Porto Alegre.
O fato do Mc Donalds ter baratas e ratos não me ...surpreende, pois a baixa qualidade das coisas de algumas franquias é absurda, o que mostra mais uma vez que merda de sociedade maluca que temos aqui na capital. Lembro quando abriu o Mc do Rua da Praia Shopping, eu mesmo procurei emprego, tinha uns quatorze anos de idade e a resposta não poderia ser pior: como eu morava longe não entrava nos planos da multinacional. Percebi que naquela época não haviam muitos negros também, coisa que foi mudando com o passar do tempo. Nos Estados Unidos o Mc é uma rango "chinelo" que praticamente só tem nos guetos, não muito diferente do Habbib's, que em São Paulo é outra chinelagem. Onde eu quero chegar com todo esse papo? Nós temos o costume de dar uma importância tão grande a tudo que vem de fora, e aí falo de tudo ou quase tudo que possamos imaginar. O Mc Donalds chegou aqui com uma pompa de multinacional, mas ninguém fez questão de fazer um estudo sobre os males que poderia fazer a saúde, assim como não fizeram um estudo para saber que males poderiam nos fazer as músicas enlatadas que recebíamos nos anos oitenta, assim como a moda e outras tantas coisas que todos podem e devem me ajudar a lembrar.
O que me deixa muito chateado é com a nossa sociedade gaúcha que sempre teve orgulho de não ter virado uma São Paulo, quando dizia que "aqui pro sul não vinha nordestino", mas vem tênis coreano e Mc Donalds, a prova viva do nosso bairrismo. O comercial da Oi é um exemplo vivo disso, aceitamos tudo que vem de fora do país, como se fosse realmente acrescentar alguma coisa em nossas vidas e menosprezamos o resto do país e às vezes até mesmo o nosso próprio povo, por que é interiorano. Não lutamos na guerra e damos mais valor a Argentina. Somos todos preconceituosos, cada um de nós, pior, somos metidos a besta, basta olhar nas publicações, onde cada um arrota mais grandeza que o outro. Sei que vou criar alguns inimigos, mas a vida é assim mesmo, tenho certeza que muitos voltarão a comer no Mc e vão se achar pessoas especiais por comerem um rango de americano, ou vão passear na Goethe para comer no Habbib's, mas convenhamos, eu prefiro muito mais o xis da Lancheria do Parque, pois se aparecer uma barata tenho certeza que o B.A. mata.
O fato do Mc Donalds ter baratas e ratos não me ...surpreende, pois a baixa qualidade das coisas de algumas franquias é absurda, o que mostra mais uma vez que merda de sociedade maluca que temos aqui na capital. Lembro quando abriu o Mc do Rua da Praia Shopping, eu mesmo procurei emprego, tinha uns quatorze anos de idade e a resposta não poderia ser pior: como eu morava longe não entrava nos planos da multinacional. Percebi que naquela época não haviam muitos negros também, coisa que foi mudando com o passar do tempo. Nos Estados Unidos o Mc é uma rango "chinelo" que praticamente só tem nos guetos, não muito diferente do Habbib's, que em São Paulo é outra chinelagem. Onde eu quero chegar com todo esse papo? Nós temos o costume de dar uma importância tão grande a tudo que vem de fora, e aí falo de tudo ou quase tudo que possamos imaginar. O Mc Donalds chegou aqui com uma pompa de multinacional, mas ninguém fez questão de fazer um estudo sobre os males que poderia fazer a saúde, assim como não fizeram um estudo para saber que males poderiam nos fazer as músicas enlatadas que recebíamos nos anos oitenta, assim como a moda e outras tantas coisas que todos podem e devem me ajudar a lembrar.
O que me deixa muito chateado é com a nossa sociedade gaúcha que sempre teve orgulho de não ter virado uma São Paulo, quando dizia que "aqui pro sul não vinha nordestino", mas vem tênis coreano e Mc Donalds, a prova viva do nosso bairrismo. O comercial da Oi é um exemplo vivo disso, aceitamos tudo que vem de fora do país, como se fosse realmente acrescentar alguma coisa em nossas vidas e menosprezamos o resto do país e às vezes até mesmo o nosso próprio povo, por que é interiorano. Não lutamos na guerra e damos mais valor a Argentina. Somos todos preconceituosos, cada um de nós, pior, somos metidos a besta, basta olhar nas publicações, onde cada um arrota mais grandeza que o outro. Sei que vou criar alguns inimigos, mas a vida é assim mesmo, tenho certeza que muitos voltarão a comer no Mc e vão se achar pessoas especiais por comerem um rango de americano, ou vão passear na Goethe para comer no Habbib's, mas convenhamos, eu prefiro muito mais o xis da Lancheria do Parque, pois se aparecer uma barata tenho certeza que o B.A. mata.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Entre o Céu e o Inferno
Tem coisas que foram implantadas nas nossas cabeças que, às vezes, demoramos uma vida inteira pra desmistificá-las do cérebro.
Coisas que não combinam como melancia com leite, comida doce com salgada e por aí vai. Sexo é um tabu na vida da maioria das pessoas e uma das tantas coisas que afligem raça humana, mas nada se compara a relig...ião. Por religião já se matou, se roubou e se traiu, claro que motivados pela ganância, dinheiro e poder.
A religião tem na sua força maior a fé e o medo, dizem que a fé move montanhas, mas todos nós sabemos que o medo também, o covarde é mais perigoso que o valente.
Há séculos atrás, o medo da ciência fez com que a religião matasse em nome da fé, o que é um absurdo. Mas não era bem em nome da fé que a religião estava sendo usada e sim em nome da tal ganância e do poder.
A religião católica que nos dias de hoje perde espaço para outras religiões, foi uma assassina sem escrúpulos e sem alma durante anos, matando pessoas que acreditavam em outras religiões ou que não acreditavam em nada. Transformando pessoas simples em alvos de fogueiras e tudo em nome de um Cristo, meu Deus! Hoje com a globalização e os contatos diários com seitas, crenças e tudo mais, percebo que a fé se tornou um mercado que mexe com milhões e com a vida de outros milhões de pessoas.
Pessoas dizendo para se colocar um copo d'água em cima da televisão para ser abençoada... abençoada por quem?
Nós transformamos a religião em negócio e a fé em moeda. Não se compra paz, não se compra fé.
Um dia me perguntaram o que todas as religiões tem em comum, respondi que só poderia ser a fé, pois é nisso que acredito. Aos católicos e evangélicos que acreditam em vida após a morte, lamento por essas pessoas, aos que acreditam em padres e pastores, lamento por elas também. Padres fazem sexo com crianças, pastores fazem orgias em hotéis com devotas, que participam daquilo porque são humanos, não há nada de errado em não acreditar nessas religiões, o que não podemos perder é a fé, o que não podemos é deixar de acreditar.
O ser humano consegue colocar-se em uma posição tal que acredita ser a melhor coisa que existe na terra, e não é! Não somos melhores que um cachorro e os que acreditam que são, vai um lembrete, quando se morre vira-se adubo, igual a tudo o que é vivo e esse é o seu legado, morrer e dar origem a outra vida em forma de adubo.
Não posso deixar de falar de religião, por mais que muitas pessoas possam achar que estou blasfemando, não me importo com isso, igrejas não pagam impostos, eu pago.
Celibato é uma idiotice, que não nos leva a lugar algum, a religião católica atrasou a humanidade de um crescimento notório. Os incas e os astecas são os mais evoluídos, eles não eram católicos. Lutero largou de mão a religião católica por não concordar com os abusos, a França bateu de frente com os católicos e assim, muitos outros o fizeram.
Hoje a religião católica, que perde força a cada dia que passa, volta atrás em relação a coisas que ela mesmo dizia serem "palavras de deus", coisas como usar camisinha, aborto, estupro, homosexualismo. Isso tudo era tabu na religião e veja hoje, até na internet:eles tem página no Facebook e agora tem um programa para que tu, através do celular, comece a guardar teus pecados para depois ter ideia de quantos fez durante o tempo que não se confessou... Quem se confessa hoje em dia?
Meus amigos, assistam o filme " O Crime do Padre Amaro", leiam "O Santo Inquerito" de Dias Gomes, não posso admitir que mais e mais pessoas passem uma vida sobre um manto de mentiras da fé, que é a esperança em forma de energia, pois é isso que somos, energia.
Minha fé na ciência é maior do que minha fé nas pessoas que se dizem religiosos, sigo firme nas palavras de Gilberto Gil, parodiada na língua do povo...
"Uma com fé eu dou, a segunda custuma falha"
Coisas que não combinam como melancia com leite, comida doce com salgada e por aí vai. Sexo é um tabu na vida da maioria das pessoas e uma das tantas coisas que afligem raça humana, mas nada se compara a relig...ião. Por religião já se matou, se roubou e se traiu, claro que motivados pela ganância, dinheiro e poder.
A religião tem na sua força maior a fé e o medo, dizem que a fé move montanhas, mas todos nós sabemos que o medo também, o covarde é mais perigoso que o valente.
Há séculos atrás, o medo da ciência fez com que a religião matasse em nome da fé, o que é um absurdo. Mas não era bem em nome da fé que a religião estava sendo usada e sim em nome da tal ganância e do poder.
A religião católica que nos dias de hoje perde espaço para outras religiões, foi uma assassina sem escrúpulos e sem alma durante anos, matando pessoas que acreditavam em outras religiões ou que não acreditavam em nada. Transformando pessoas simples em alvos de fogueiras e tudo em nome de um Cristo, meu Deus! Hoje com a globalização e os contatos diários com seitas, crenças e tudo mais, percebo que a fé se tornou um mercado que mexe com milhões e com a vida de outros milhões de pessoas.
Pessoas dizendo para se colocar um copo d'água em cima da televisão para ser abençoada... abençoada por quem?
Nós transformamos a religião em negócio e a fé em moeda. Não se compra paz, não se compra fé.
Um dia me perguntaram o que todas as religiões tem em comum, respondi que só poderia ser a fé, pois é nisso que acredito. Aos católicos e evangélicos que acreditam em vida após a morte, lamento por essas pessoas, aos que acreditam em padres e pastores, lamento por elas também. Padres fazem sexo com crianças, pastores fazem orgias em hotéis com devotas, que participam daquilo porque são humanos, não há nada de errado em não acreditar nessas religiões, o que não podemos perder é a fé, o que não podemos é deixar de acreditar.
O ser humano consegue colocar-se em uma posição tal que acredita ser a melhor coisa que existe na terra, e não é! Não somos melhores que um cachorro e os que acreditam que são, vai um lembrete, quando se morre vira-se adubo, igual a tudo o que é vivo e esse é o seu legado, morrer e dar origem a outra vida em forma de adubo.
Não posso deixar de falar de religião, por mais que muitas pessoas possam achar que estou blasfemando, não me importo com isso, igrejas não pagam impostos, eu pago.
Celibato é uma idiotice, que não nos leva a lugar algum, a religião católica atrasou a humanidade de um crescimento notório. Os incas e os astecas são os mais evoluídos, eles não eram católicos. Lutero largou de mão a religião católica por não concordar com os abusos, a França bateu de frente com os católicos e assim, muitos outros o fizeram.
Hoje a religião católica, que perde força a cada dia que passa, volta atrás em relação a coisas que ela mesmo dizia serem "palavras de deus", coisas como usar camisinha, aborto, estupro, homosexualismo. Isso tudo era tabu na religião e veja hoje, até na internet:eles tem página no Facebook e agora tem um programa para que tu, através do celular, comece a guardar teus pecados para depois ter ideia de quantos fez durante o tempo que não se confessou... Quem se confessa hoje em dia?
Meus amigos, assistam o filme " O Crime do Padre Amaro", leiam "O Santo Inquerito" de Dias Gomes, não posso admitir que mais e mais pessoas passem uma vida sobre um manto de mentiras da fé, que é a esperança em forma de energia, pois é isso que somos, energia.
Minha fé na ciência é maior do que minha fé nas pessoas que se dizem religiosos, sigo firme nas palavras de Gilberto Gil, parodiada na língua do povo...
"Uma com fé eu dou, a segunda custuma falha"
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Assim caminha a humanidade
É triste ver o estado que chegamos, percebo que o Brasil se ajuda em momentos de crise, como essa que vemos nos noticiários da tv.
O que deveriámos realmente ver nesse momento é que estamos a um passo de destruir a única coisa que nos resta, nossa própria vida.
No dia que passou pela cabeça de algum cientista maluco que o homem, o in...significante homem, poderia destruir o mundo, o mesmo se achou um deus, o que não somos.
Não há como lutar contra a natureza e ela vem nos dando provas, como se precisasse, há anos, há milhares de anos.
De tempos em tempos a natureza mostra seu poder e aí vemos crianças sem lar e familiares chorando suas perdas materiais. Onde já se viu um morro destruir uma vida inteira de consumisto exacerbado! Pobres mortais que se acham donos do planeta...
O que me deixa triste é saber que em abril o lixo estará entupindo bueiros novamente, estaremos jogando lixo nas ruas, comprando o que não precisamos, destruindo a natureza para construir arranha-céus, comprando carros para andarmos sozinhos nas noites de sábado enquanto bebemos, fumamos e cheiramos, sem sequer pensarmos onde jogamos a bituca de cigarro ou mesmo a latinha de cerveja.
Quem se preocupa em ajudar os desabrigados nesse momento deveria também lembrar-se que durante o ano, cada vez que eles jogarem lixo nas ruas, estarão provocando suas próprias mortes no verão seguinte.
Temos que nos ajudar nesse momento difícil, mas temos a obrigação de nos lembrarmos que isso é nossa culpa, só nossa, não dos menos informados, não dos menos favorecidos, mas de todos, todos que circulam arrotando suas façanhas, todos que se julgam melhores que os que moram lá nas areas da tragédia.
A tragédia se mostra com a nossa cara, com o nosso sofrimento, mas principalmente com a nossa falta de responsabilidade, não podemos achar que o fato de mandar uma cesta básica ou alguns litros de água a quem precisa nos isenta da responsabilidade de um todo, somos parte de um ciclo que está prestes a acabar, como já acabou algumas vezes.
Aos que não se acham na necessidade de ler esse texto, não o faça, não se sinta responsável, durma tranquilamente em seu apartamento com circuito interno de vigilância e seu carro de luxo, volte pra sua vida maravilhosa, porque quando tudo der errado você terá pra onde fugir. Recicle seu lixo, não o jogue no chão, lembre sempre que a vida é um ciclo e pense nas próximas gerações.
O que deveriámos realmente ver nesse momento é que estamos a um passo de destruir a única coisa que nos resta, nossa própria vida.
No dia que passou pela cabeça de algum cientista maluco que o homem, o in...significante homem, poderia destruir o mundo, o mesmo se achou um deus, o que não somos.
Não há como lutar contra a natureza e ela vem nos dando provas, como se precisasse, há anos, há milhares de anos.
De tempos em tempos a natureza mostra seu poder e aí vemos crianças sem lar e familiares chorando suas perdas materiais. Onde já se viu um morro destruir uma vida inteira de consumisto exacerbado! Pobres mortais que se acham donos do planeta...
O que me deixa triste é saber que em abril o lixo estará entupindo bueiros novamente, estaremos jogando lixo nas ruas, comprando o que não precisamos, destruindo a natureza para construir arranha-céus, comprando carros para andarmos sozinhos nas noites de sábado enquanto bebemos, fumamos e cheiramos, sem sequer pensarmos onde jogamos a bituca de cigarro ou mesmo a latinha de cerveja.
Quem se preocupa em ajudar os desabrigados nesse momento deveria também lembrar-se que durante o ano, cada vez que eles jogarem lixo nas ruas, estarão provocando suas próprias mortes no verão seguinte.
Temos que nos ajudar nesse momento difícil, mas temos a obrigação de nos lembrarmos que isso é nossa culpa, só nossa, não dos menos informados, não dos menos favorecidos, mas de todos, todos que circulam arrotando suas façanhas, todos que se julgam melhores que os que moram lá nas areas da tragédia.
A tragédia se mostra com a nossa cara, com o nosso sofrimento, mas principalmente com a nossa falta de responsabilidade, não podemos achar que o fato de mandar uma cesta básica ou alguns litros de água a quem precisa nos isenta da responsabilidade de um todo, somos parte de um ciclo que está prestes a acabar, como já acabou algumas vezes.
Aos que não se acham na necessidade de ler esse texto, não o faça, não se sinta responsável, durma tranquilamente em seu apartamento com circuito interno de vigilância e seu carro de luxo, volte pra sua vida maravilhosa, porque quando tudo der errado você terá pra onde fugir. Recicle seu lixo, não o jogue no chão, lembre sempre que a vida é um ciclo e pense nas próximas gerações.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Quando o asfalto chegar
Quando Leonel chegou à Barra, o vilarejo ainda não pertencia ao exército, apesar de muitos não acreditarem nisso. Seu Leonel comprou, a muito custo, um pedaço de terra na única rua que ligava o vilarejo ao resto do mundo, pelo menos por terra era só esse caminho. Com a chegada de novos moradores, pescadores e milicos, o vilarejo cresceu, não muito, mas o suficiente para que muitos carros e caminhões passassem quase que diariamente na frente da casa de seu Leonel.
A família de seu Jorge chegou pelo rio e por conta do valor baixo do terreno, foi morar no lado da casa de seu Leonel, tornaram-se vizinhos. Seu Leonel era agricultor e seu Jorge pescador. A família de seu Jorge foi crescendo com a chegada dos gêmeos e depois da pequena Nina, já a família de seu Leonel não prosperava tanto, mas também seguia seu rumo natural. As pedras e a poeira que subia todo santo dia na frente das casas, não estava sendo um problema, até o dia em que seu Leonel teve que levar sua mulher ao posto de saúde com falta de ar. Chegando ao posto, a enfermeira foi enfática:
- Acho melhor o senhor levar sua mulher no hospital, não temos recursos suficientes para atendê-la.
Com a ajuda de vizinhos e alguns parentes, seu Leonel conseguiu pagar um enterro descente para sua esposa, que partiu vítima de enfisema pulmonar. Em casa tudo tinha mudado, havia silêncio onde antes havia murmúrio, havia frio onde nunca houve nada, mas a tristeza de seu Leonel era grande. Sua lavoura não andava bem, uma seca massacrava cada sabugo que conseguia respirar mais de uma semana, sua vaca estava magra demais para dar leite, até para o seu café da manhã. A menos de dois metros dali, na casa ao lado, se ouvia a família de seu Jorge comemorando e sorrindo quase que diariamente. Pescador de talento, seu Jorge nunca voltou para casa de mãos abanando, era muito cordial e amigo de todos.
Os demais moradores da vila, não compraram os terrenos, acabaram invadindo as terras cobertas pelo matagal. A vila se organizou, chamaram a companhia de energia elétrica e mandaram fazer a instalação de luz. A prefeitura, muito esperta, arrumou “ligeirinho” a rede de esgotos e de água encanada para poder ganhar sua parte através do imposto. Agora, até caminhão de lixo seletivo passava, mas a poeira maldita, que levou o amor de seu Leonel, ah, essa continuava a deixar as janelas de todas as casas fechadas, tornando um segredo a vida de quem dentro delas habitava.
Seu Leonel, apesar da poeira, gostava de ficar nos finais de tarde tomando chimarrão e vendo a vida passar, pelo menos o que ele conseguia através da poeira. Os anos foram se passando e a cada dia, havia mais movimento no vilarejo. Todos os finais de semana, pessoas de cidades vizinhas vinham usufruir das cachoeiras e lagos da Barra. O rio já era famoso por ter os melhores viveiros de peixes da região, até mesmo seu Leonel pensou em virar pescador, mas a vaquinha engordou e a plantação voltou a crescer e prosperar. Seu Leonel acreditava que sua vida havia melhorado, mas ainda faltava alguma coisa para que ela se tornasse absoluta, uma vida digna de quem acordou por cinqüenta anos na beira de uma estrada de chão que ligava o rio da Barra ao asfalto da auto-estrada. Faltava a dignidade de deixar sua janela aberta durante os dias quentes de verão e nas noites, entre os mosquitos e o luar mais lindo do mundo.
Uma manhã, seu Jorge voltou mais cedo de sua pescaria. Recebeu a ligação de sua esposa lhe informando, aos berros, que sua pequena e única filha mulher, Nina, estava doente. Rapidamente levaram a menina ao hospital mais próximo onde foi diagnosticado o mesmo mal que levara a mulher de seu Leonel. Como a menina estava em estágio recente da doença, foi medicada e depois de alguns dias voltou para casa sã e salva. Na manhã seguinte, com a ajuda de seu Leonel e de outros moradores, houve um protesto diante da prefeitura contra aquela poeira maldita. O prefeito prometeu abrir uma licitação de caráter emergencial para resolver o problema dos moradores.
Seu Leonel, seu Jorge e os demais vizinhos, mediram a rua onde necessitava asfalto e enviaram a metragem ao prefeito, que assinou, na hora, o projeto de construção da via pública do vilarejo. Aquele dia foi marcante, todos faziam planos, havia boatos de que, com a chegada do asfalto, viriam comerciantes e um tal “crescimento absurdo” para aquele vilarejo modesto chamado “Barra”. Seu Leonel estava em êxtase, foi na vendinha de seu Romão e pagou, em leite, uma rodada de cachaça para todos. Seu Jorge brindou junto.
- É Leonel, tu vê como são as coisas, quando tua mulher morreu , “que Deus a tenha”, a gente nem pensava em se organizar para conseguir o que a gente queria. Faltou um pouco de atitude naquela época, mas quando minha filha quase morreu, não faltou uma mão para que essa idéia seguisse adiante.
Leonel lembrou da sua mulher e não conseguiu conter o choro, Jorge e Leonel abraçados choraram a vida e a morte no mesmo gole. Dois dias depois surgiram, ao longe, entre poeira e solidão, caminhões da empreiteira escolhida para a realização do que seria “o maior avanço da civilização”, depois da garrafa térmica para aqueles que adoravam chimarrão e odiavam a poeira. Era para mais de cinco caminhões e máquinas retro escavadeiras, os homens com seus uniformes e capacetes davam ao lugar a idéia de que ali o mundo estava prestes a mudar. O que tantas noites tirou o sono dos moradores, agora estava prestes a se tornar realidade.
Seu Leonel saiu à frente de seu terreno para receber com aplausos, juntos com os outros moradores, as máquinas da nova obra do vilarejo. A segunda maior, pois a primeira tinha sido o muro do cemitério. Esse muro servia não só para determinar onde começava e acabava o mesmo, como evitava que em dias de temporais muito fortes os corpos escorressem pelo morro abaixo e viessem parar na rua onde o asfalto não havia chegado. Mas seu Leonel não gostou quando ouviu a seguinte frase do encarregado da obra:
- Vamos começar lá por baixo, são quinhentos metros de asfalto e de boca de lobo, tenho certeza que assim terminaremos em três dias. Vamos lá pessoal!
Quinhentos metros, o número de alguma maneira deixou seu Leonel desconfortável, mas estava feliz pois via com seus próprios olhos o que o ser humano era capaz de fazer. Ele levava água gelada para os operários e a mulher do seu Jorge levava bolinhos e bolachas, tudo para que eles trabalhassem com amor e bem rápido. Dizem as más línguas que a mulher do seu Jorge adorava ouvir as histórias que os obreiros contavam, enquanto comiam tudo que ela tinha para dar. Ao final de uma semana, os olhares que haviam brilhado como a negra cor do asfalto, que tomava a rua e deixava as casas mais bonitas do que nunca, se transformaram em desconfiança, principalmente de seu Leonel. Ele percebia que a obra ainda não tinha chegado à frente de sua casa e, pior, dava a entender que nunca chegaria. Em um dia quente de sol escaldante, seu Leonel percebeu que algumas máquinas estavam de partida e saiu correndo atrás delas para tirar satisfação do que realmente estava acontecendo.
- Ei, ei, ei!! Voltem aqui, faltou a minha parte! Faltou terminar aqui na frente da minha casa! Voltem, voltem, por favor voltem!
Seu Leonel olhou para trás e viu todos os outros moradores festejando diante de suas residências as maravilhas do asfalto. Ao perceberem a tristeza de seu Leonel, foram condescendentes com ele e começaram a chamar os caminhões, tudo sem sucesso. Na manhã seguinte, seu Jorge e seu Leonel foram à prefeitura para reclamar e se depararam com uma situação no mínimo constrangedora: a medida que eles mesmos haviam mandado para a prefeitura, não incluía a última casa que havia sido construída dias antes, fruto de mais uma invasão. Como os engenheiros mediram de baixo para cima, a casa do seu Leonel estava fora dos quinhentos metros de asfalto, sendo assim, não havia erro por parte da empreiteira e muito menos da prefeitura.
- Veja bem seu Leonel, não sei realmente o que eu poderia fazer para resolver o seu caso, uma nova licitação dependeria de aprovação dos vereadores que nesse exato momento estão resolvendo problemas de outras regiões. Sua demanda voltaria para o final da fila, sendo assim, levaríamos mais ou menos uns dez anos para resolver o seu problema. Mas quero que o senhor saiba que estou aqui para ajudá-lo no que for possível!
- Estou vendo! Mas deve haver alguma coisa que possamos fazer para amenizar esse problema secretário. - respondeu seu Leonel.
- Claro que sim, vou ver isso com meu pessoal e amanhã ligamos para dar um retorno, ok¿ Agora, se me derem licença, tenho outras pessoas para atender. – disse, conduzindo-os até a porta.
Nas semanas seguintes, diariamente, às oito da manhã e às cinco da tarde, passava o caminhão pipa para molhar o pedaço da rua que não tinha asfalto. Ao final da segunda semana isso não aconteceu mais, seu Leonel tentou organizar um grupo que fosse conversar com o prefeito, mas infelizmente a única parte que não tinha asfalto era onde ele morava. Isso desmotivou os moradores que já usufruíam da rua sem poeira.
Seu Leonel se tornou um homem de cara fechada, achou que tinha sido traído. Um dia, bêbado, bateu no rapaz que invadiu o último terreno que tinha na rua, o primeiro a ser asfaltado, causando péssima impressão nos outros moradores que começaram a enxergá-lo como um velho ranzinza. Ele, por sua vez, terminou por acolher o estigma. Hoje, quem vai à prainha da Barra, pega muita poeira pela estrada, são mais de dez quilômetros de estrada de chão e quinhentos metros de asfalto. Logo depois da curva a prefeitura colocou pedras de paralelepípedo, imaginando que estavam fazendo para o lado certo, mas infelizmente erraram o lado novamente. Dessa forma a casa do seu Leonel se tornou referência para os turistas:
“ Para chegar na prainha da barra é simples: segue pela estrada de terra até a casa do véio Leonel, que é a ultima com poeira, depois começa o asfalto.”
O tão esperado “crescimento absurdo”, com comércio e lojas, não chegou, preservando boa parte da história do vilarejo. Seu Jorge, hoje, líder comunitário e guia turístico, segue feliz da vida e volta e meia faz umas festas para celebrar as suas conquistas, sempre convida seu Leonel, mas esse não quer saber de nada. Quando convidado para qualquer coisa, a resposta é sempre a mesma:
- Vai pra puta que te pariu.
Fim.
A família de seu Jorge chegou pelo rio e por conta do valor baixo do terreno, foi morar no lado da casa de seu Leonel, tornaram-se vizinhos. Seu Leonel era agricultor e seu Jorge pescador. A família de seu Jorge foi crescendo com a chegada dos gêmeos e depois da pequena Nina, já a família de seu Leonel não prosperava tanto, mas também seguia seu rumo natural. As pedras e a poeira que subia todo santo dia na frente das casas, não estava sendo um problema, até o dia em que seu Leonel teve que levar sua mulher ao posto de saúde com falta de ar. Chegando ao posto, a enfermeira foi enfática:
- Acho melhor o senhor levar sua mulher no hospital, não temos recursos suficientes para atendê-la.
Com a ajuda de vizinhos e alguns parentes, seu Leonel conseguiu pagar um enterro descente para sua esposa, que partiu vítima de enfisema pulmonar. Em casa tudo tinha mudado, havia silêncio onde antes havia murmúrio, havia frio onde nunca houve nada, mas a tristeza de seu Leonel era grande. Sua lavoura não andava bem, uma seca massacrava cada sabugo que conseguia respirar mais de uma semana, sua vaca estava magra demais para dar leite, até para o seu café da manhã. A menos de dois metros dali, na casa ao lado, se ouvia a família de seu Jorge comemorando e sorrindo quase que diariamente. Pescador de talento, seu Jorge nunca voltou para casa de mãos abanando, era muito cordial e amigo de todos.
Os demais moradores da vila, não compraram os terrenos, acabaram invadindo as terras cobertas pelo matagal. A vila se organizou, chamaram a companhia de energia elétrica e mandaram fazer a instalação de luz. A prefeitura, muito esperta, arrumou “ligeirinho” a rede de esgotos e de água encanada para poder ganhar sua parte através do imposto. Agora, até caminhão de lixo seletivo passava, mas a poeira maldita, que levou o amor de seu Leonel, ah, essa continuava a deixar as janelas de todas as casas fechadas, tornando um segredo a vida de quem dentro delas habitava.
Seu Leonel, apesar da poeira, gostava de ficar nos finais de tarde tomando chimarrão e vendo a vida passar, pelo menos o que ele conseguia através da poeira. Os anos foram se passando e a cada dia, havia mais movimento no vilarejo. Todos os finais de semana, pessoas de cidades vizinhas vinham usufruir das cachoeiras e lagos da Barra. O rio já era famoso por ter os melhores viveiros de peixes da região, até mesmo seu Leonel pensou em virar pescador, mas a vaquinha engordou e a plantação voltou a crescer e prosperar. Seu Leonel acreditava que sua vida havia melhorado, mas ainda faltava alguma coisa para que ela se tornasse absoluta, uma vida digna de quem acordou por cinqüenta anos na beira de uma estrada de chão que ligava o rio da Barra ao asfalto da auto-estrada. Faltava a dignidade de deixar sua janela aberta durante os dias quentes de verão e nas noites, entre os mosquitos e o luar mais lindo do mundo.
Uma manhã, seu Jorge voltou mais cedo de sua pescaria. Recebeu a ligação de sua esposa lhe informando, aos berros, que sua pequena e única filha mulher, Nina, estava doente. Rapidamente levaram a menina ao hospital mais próximo onde foi diagnosticado o mesmo mal que levara a mulher de seu Leonel. Como a menina estava em estágio recente da doença, foi medicada e depois de alguns dias voltou para casa sã e salva. Na manhã seguinte, com a ajuda de seu Leonel e de outros moradores, houve um protesto diante da prefeitura contra aquela poeira maldita. O prefeito prometeu abrir uma licitação de caráter emergencial para resolver o problema dos moradores.
Seu Leonel, seu Jorge e os demais vizinhos, mediram a rua onde necessitava asfalto e enviaram a metragem ao prefeito, que assinou, na hora, o projeto de construção da via pública do vilarejo. Aquele dia foi marcante, todos faziam planos, havia boatos de que, com a chegada do asfalto, viriam comerciantes e um tal “crescimento absurdo” para aquele vilarejo modesto chamado “Barra”. Seu Leonel estava em êxtase, foi na vendinha de seu Romão e pagou, em leite, uma rodada de cachaça para todos. Seu Jorge brindou junto.
- É Leonel, tu vê como são as coisas, quando tua mulher morreu , “que Deus a tenha”, a gente nem pensava em se organizar para conseguir o que a gente queria. Faltou um pouco de atitude naquela época, mas quando minha filha quase morreu, não faltou uma mão para que essa idéia seguisse adiante.
Leonel lembrou da sua mulher e não conseguiu conter o choro, Jorge e Leonel abraçados choraram a vida e a morte no mesmo gole. Dois dias depois surgiram, ao longe, entre poeira e solidão, caminhões da empreiteira escolhida para a realização do que seria “o maior avanço da civilização”, depois da garrafa térmica para aqueles que adoravam chimarrão e odiavam a poeira. Era para mais de cinco caminhões e máquinas retro escavadeiras, os homens com seus uniformes e capacetes davam ao lugar a idéia de que ali o mundo estava prestes a mudar. O que tantas noites tirou o sono dos moradores, agora estava prestes a se tornar realidade.
Seu Leonel saiu à frente de seu terreno para receber com aplausos, juntos com os outros moradores, as máquinas da nova obra do vilarejo. A segunda maior, pois a primeira tinha sido o muro do cemitério. Esse muro servia não só para determinar onde começava e acabava o mesmo, como evitava que em dias de temporais muito fortes os corpos escorressem pelo morro abaixo e viessem parar na rua onde o asfalto não havia chegado. Mas seu Leonel não gostou quando ouviu a seguinte frase do encarregado da obra:
- Vamos começar lá por baixo, são quinhentos metros de asfalto e de boca de lobo, tenho certeza que assim terminaremos em três dias. Vamos lá pessoal!
Quinhentos metros, o número de alguma maneira deixou seu Leonel desconfortável, mas estava feliz pois via com seus próprios olhos o que o ser humano era capaz de fazer. Ele levava água gelada para os operários e a mulher do seu Jorge levava bolinhos e bolachas, tudo para que eles trabalhassem com amor e bem rápido. Dizem as más línguas que a mulher do seu Jorge adorava ouvir as histórias que os obreiros contavam, enquanto comiam tudo que ela tinha para dar. Ao final de uma semana, os olhares que haviam brilhado como a negra cor do asfalto, que tomava a rua e deixava as casas mais bonitas do que nunca, se transformaram em desconfiança, principalmente de seu Leonel. Ele percebia que a obra ainda não tinha chegado à frente de sua casa e, pior, dava a entender que nunca chegaria. Em um dia quente de sol escaldante, seu Leonel percebeu que algumas máquinas estavam de partida e saiu correndo atrás delas para tirar satisfação do que realmente estava acontecendo.
- Ei, ei, ei!! Voltem aqui, faltou a minha parte! Faltou terminar aqui na frente da minha casa! Voltem, voltem, por favor voltem!
Seu Leonel olhou para trás e viu todos os outros moradores festejando diante de suas residências as maravilhas do asfalto. Ao perceberem a tristeza de seu Leonel, foram condescendentes com ele e começaram a chamar os caminhões, tudo sem sucesso. Na manhã seguinte, seu Jorge e seu Leonel foram à prefeitura para reclamar e se depararam com uma situação no mínimo constrangedora: a medida que eles mesmos haviam mandado para a prefeitura, não incluía a última casa que havia sido construída dias antes, fruto de mais uma invasão. Como os engenheiros mediram de baixo para cima, a casa do seu Leonel estava fora dos quinhentos metros de asfalto, sendo assim, não havia erro por parte da empreiteira e muito menos da prefeitura.
- Veja bem seu Leonel, não sei realmente o que eu poderia fazer para resolver o seu caso, uma nova licitação dependeria de aprovação dos vereadores que nesse exato momento estão resolvendo problemas de outras regiões. Sua demanda voltaria para o final da fila, sendo assim, levaríamos mais ou menos uns dez anos para resolver o seu problema. Mas quero que o senhor saiba que estou aqui para ajudá-lo no que for possível!
- Estou vendo! Mas deve haver alguma coisa que possamos fazer para amenizar esse problema secretário. - respondeu seu Leonel.
- Claro que sim, vou ver isso com meu pessoal e amanhã ligamos para dar um retorno, ok¿ Agora, se me derem licença, tenho outras pessoas para atender. – disse, conduzindo-os até a porta.
Nas semanas seguintes, diariamente, às oito da manhã e às cinco da tarde, passava o caminhão pipa para molhar o pedaço da rua que não tinha asfalto. Ao final da segunda semana isso não aconteceu mais, seu Leonel tentou organizar um grupo que fosse conversar com o prefeito, mas infelizmente a única parte que não tinha asfalto era onde ele morava. Isso desmotivou os moradores que já usufruíam da rua sem poeira.
Seu Leonel se tornou um homem de cara fechada, achou que tinha sido traído. Um dia, bêbado, bateu no rapaz que invadiu o último terreno que tinha na rua, o primeiro a ser asfaltado, causando péssima impressão nos outros moradores que começaram a enxergá-lo como um velho ranzinza. Ele, por sua vez, terminou por acolher o estigma. Hoje, quem vai à prainha da Barra, pega muita poeira pela estrada, são mais de dez quilômetros de estrada de chão e quinhentos metros de asfalto. Logo depois da curva a prefeitura colocou pedras de paralelepípedo, imaginando que estavam fazendo para o lado certo, mas infelizmente erraram o lado novamente. Dessa forma a casa do seu Leonel se tornou referência para os turistas:
“ Para chegar na prainha da barra é simples: segue pela estrada de terra até a casa do véio Leonel, que é a ultima com poeira, depois começa o asfalto.”
O tão esperado “crescimento absurdo”, com comércio e lojas, não chegou, preservando boa parte da história do vilarejo. Seu Jorge, hoje, líder comunitário e guia turístico, segue feliz da vida e volta e meia faz umas festas para celebrar as suas conquistas, sempre convida seu Leonel, mas esse não quer saber de nada. Quando convidado para qualquer coisa, a resposta é sempre a mesma:
- Vai pra puta que te pariu.
Fim.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
O Escritor e a Atriz
Uma simples carta pode mudar a vida dos que não esperam mais nada dela...
Olá sou escritor do interior e me disseram que a senhorita poderia me ajudar na carreira.
Meu nome é Raul, sou um homem desiludido com a profissão, não tenho filhos e nem onde morar, não tenho amigos nem mesmo um cachorro a quem chorar minhas mágoas.
Moro no fundo de um terreno baldio. Me alimento quando tenho fome e o que estiver disponível.
Meu talento, ah esse nunca me abandonou, diferente das milhares de mulheres que tive e que não acreditavam nele.
Sempre quis conhecer mais pessoas que trabalham com arte. Um dia vi num recorte de jornal o retrato de uma linda mulher, parecia um copo de leite. Era uma atriz somente de teatro, apesar de achar que atores são de tudo, de tudo onde se precisa de interpretação, mas entendi quando li sobre ser atriz somente de teatro.
Gosto de escrever e tenho alguma habilidade para isso, nunca soube se o que escrevia era bom ou ruim, como não tenho amigos e as pessoas que conhecia eram todas analfabetas, não tive esse feedback das minhas escritas.
Espero que me desculpe por aparecer assim sem avisar, mas tenho certeza que se a senhorita me der um segundo de atenção verá em mim mais que um homem. Sou bem mais que isso, sou um ser que pensa, que ama e que sofre.
Como estava lhe falando, quando vi aquele recorte de jornal e aquela mulher que nele repousava, meus olhos brilharam, mas isso foi há muito tempo atrás, nunca mais vi ela em lugar algum.
Certa vez, anos mais tarde, enquanto tentava comprar uma tv, o vendendor trocava de canal e de repente ela surgiu como um anjo, seu rosto branco parecia mais branco que de costume. Suas roupas eram infantis, bem diferente da primeira vez que a vi, mas seu olhar era o mesmo, o que dispertou em mim novamente a paixão.
Sei que minhas desculpas para me aproximar dela não são as melhores, mas também não tenho porque me desculpar. Nunca vi ela, mas sempre lhe amei, do meu jeito, a distância, com paciência de quem sabe que o que é seu, está guardado.
Sabia que o dia iria chegar e junto com esse dia minha sorte mudaria, não seria mais visto como um qualquer, não seria mais um a passar pela fome de vida que rege os seres humanos sem alma.
Sabia que a paixão e o eterno amor estariam ao meu lado em forma de uma bela e branca mulher de olhos pequenos e coração grande, de amores impossíveis e de sexo vibrante, sei que estou sendo chato com a senhorita e mais uma vez queria me desculpar, prometo ser mais objetivo daqui pra frente, apesar de não saber como dizer isso normalmente, acredito que sim é possível e por isso venho a sua procura, da senhorita, apesar de todo seu conhecimento, não quero nada de trabalho, quero apenas saber que na minha vida um dia conheci e conversei com uma diva, uma musa do teatro, não saberia terminar essa conversa de outra maneira a não ser a que lhe direi agora
Senhorita Carlota Back aceitar casar comigo para todo sempre até que a morte nos separe?
Beijo Te Amo
Resposta:
Prezado Sr. Raul, tua sinceridade me toca, como tocado somos todos os que trabalham com arte e que vêem no coração humano mais que veias e sangue. Vemos um combustível de vida, de arte, de beleza, de sentimento, de ar, de pulsar, de respiração... Tuas palavras me tocaram.
Sou um ser humano cheio de erros, incompreensões, chatice, egoísmo, mas com uma sensibilidade ímpar para perceber um ser humano talentoso, sensível, interessante, vibrante e pelo jeito com enorme capacidade de escrita como percebo em vossa senhoria.
Adoraria crescer ao seu lado, me tornar uma pessoa melhor, mais iluminada, mais feliz..... Temo que isso possa acontecer quando o frente a frente surgir,
também já esperei pacientemente a chegada daquele que meu intímo suspeitava ser uma pessoa pra lá de especial, acalentei esse momento por anos.
Vendo-o de perto, respirando informações, acalentando sonhos, hoje ISTO surgiu.
Aceito seu pedido de casamento e prometo que ele não será só especial
será uma beleza semelhante a arte que a gente acredita e para o qual a gente vive. Meu amor a arte se equipara ao amor que posso lhe oferecer pois ambos andarão juntos.
Estou indo ao teu encontro nesse momento, me aguarde.
Estou de blusa com flores e bermuda branca.
Só peço que me ame sempre que eu sempre te amarei.
Olá sou escritor do interior e me disseram que a senhorita poderia me ajudar na carreira.
Meu nome é Raul, sou um homem desiludido com a profissão, não tenho filhos e nem onde morar, não tenho amigos nem mesmo um cachorro a quem chorar minhas mágoas.
Moro no fundo de um terreno baldio. Me alimento quando tenho fome e o que estiver disponível.
Meu talento, ah esse nunca me abandonou, diferente das milhares de mulheres que tive e que não acreditavam nele.
Sempre quis conhecer mais pessoas que trabalham com arte. Um dia vi num recorte de jornal o retrato de uma linda mulher, parecia um copo de leite. Era uma atriz somente de teatro, apesar de achar que atores são de tudo, de tudo onde se precisa de interpretação, mas entendi quando li sobre ser atriz somente de teatro.
Gosto de escrever e tenho alguma habilidade para isso, nunca soube se o que escrevia era bom ou ruim, como não tenho amigos e as pessoas que conhecia eram todas analfabetas, não tive esse feedback das minhas escritas.
Espero que me desculpe por aparecer assim sem avisar, mas tenho certeza que se a senhorita me der um segundo de atenção verá em mim mais que um homem. Sou bem mais que isso, sou um ser que pensa, que ama e que sofre.
Como estava lhe falando, quando vi aquele recorte de jornal e aquela mulher que nele repousava, meus olhos brilharam, mas isso foi há muito tempo atrás, nunca mais vi ela em lugar algum.
Certa vez, anos mais tarde, enquanto tentava comprar uma tv, o vendendor trocava de canal e de repente ela surgiu como um anjo, seu rosto branco parecia mais branco que de costume. Suas roupas eram infantis, bem diferente da primeira vez que a vi, mas seu olhar era o mesmo, o que dispertou em mim novamente a paixão.
Sei que minhas desculpas para me aproximar dela não são as melhores, mas também não tenho porque me desculpar. Nunca vi ela, mas sempre lhe amei, do meu jeito, a distância, com paciência de quem sabe que o que é seu, está guardado.
Sabia que o dia iria chegar e junto com esse dia minha sorte mudaria, não seria mais visto como um qualquer, não seria mais um a passar pela fome de vida que rege os seres humanos sem alma.
Sabia que a paixão e o eterno amor estariam ao meu lado em forma de uma bela e branca mulher de olhos pequenos e coração grande, de amores impossíveis e de sexo vibrante, sei que estou sendo chato com a senhorita e mais uma vez queria me desculpar, prometo ser mais objetivo daqui pra frente, apesar de não saber como dizer isso normalmente, acredito que sim é possível e por isso venho a sua procura, da senhorita, apesar de todo seu conhecimento, não quero nada de trabalho, quero apenas saber que na minha vida um dia conheci e conversei com uma diva, uma musa do teatro, não saberia terminar essa conversa de outra maneira a não ser a que lhe direi agora
Senhorita Carlota Back aceitar casar comigo para todo sempre até que a morte nos separe?
Beijo Te Amo
Resposta:
Prezado Sr. Raul, tua sinceridade me toca, como tocado somos todos os que trabalham com arte e que vêem no coração humano mais que veias e sangue. Vemos um combustível de vida, de arte, de beleza, de sentimento, de ar, de pulsar, de respiração... Tuas palavras me tocaram.
Sou um ser humano cheio de erros, incompreensões, chatice, egoísmo, mas com uma sensibilidade ímpar para perceber um ser humano talentoso, sensível, interessante, vibrante e pelo jeito com enorme capacidade de escrita como percebo em vossa senhoria.
Adoraria crescer ao seu lado, me tornar uma pessoa melhor, mais iluminada, mais feliz..... Temo que isso possa acontecer quando o frente a frente surgir,
também já esperei pacientemente a chegada daquele que meu intímo suspeitava ser uma pessoa pra lá de especial, acalentei esse momento por anos.
Vendo-o de perto, respirando informações, acalentando sonhos, hoje ISTO surgiu.
Aceito seu pedido de casamento e prometo que ele não será só especial
será uma beleza semelhante a arte que a gente acredita e para o qual a gente vive. Meu amor a arte se equipara ao amor que posso lhe oferecer pois ambos andarão juntos.
Estou indo ao teu encontro nesse momento, me aguarde.
Estou de blusa com flores e bermuda branca.
Só peço que me ame sempre que eu sempre te amarei.
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